quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Na noite

   Seu corpo novamente em pé
   Se foram dias ou meses desde sua queda ele não sabe, o tempo para ele definha a cada segundo.
   O sangue seco em seu rosto umedece com o sereno da noite que vem chegando. As aves de rapina se banqueteiam com os restos da batalha, e entre as sombras pode-se ver o brilho dos primeiros animais selvagem a se aproximarem.
   Homens, carniceiros de duas patas, que não se alimentam e nem limpam a relva, só reviram os mortos e roubam suas posses. Ha ainda aqueles que podem vir a dar um fim definitivo, queimando os restos mortais e entoando orações e cânticos para acalmar a alma recém desligada do corpo e lhe guiar o caminho.
   Poderia se deitar novamente e esperar que viessem os corvos, que viessem os saqueadores, e por fim os sacerdotes para atearem fogo em seu corpo e o livrar daquele corpo cansado e mutilado. Mas ele não podia. A voz chamou.
   Seus pés se arrastavam afundando em lama, sangue e urina dos mortos. o sol já abandonava o céu deixando um borrão vermelho ao horizonte ornando com o vermelho do campo de batalha. e do outro lado a noite vinha devorando a luz.
   O caminho de corpos inertes se estendia a sua frente. Momento ou outro ouvia o gemido e alguma alma ainda arranjava força para se erguer também. Pobre, derrotados e retalhados, porem ainda insistiam em levantar também.
   E assim a noite chegou, os espíritos partiram e os corpos foram cremados em um pira que rompeu o negrume da noite com suas chamas. E o pistoleiro seguiu seu caminho.