quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Aquelas malditas Palavras

- Me diga homem caído, falei aqui em meus ouvidos com seu ultimo suspiro. Repita para mim aquelas palavras que você uma vez disse com tanta certeza e poder em sua voz. Diga. Repita elas pra mim, eu ordeno.
O balbuciar daquela voz em seus ouvidos, rasgava sua mente e fervia novamente seu ódio.
Ele tentava ver os que lhe falava ao ouvido, mas ele sabia que não veria algo diferente do que já viu da outras vezes. Um vulto, um borrão, indecifrável. Talvez uma valquíria, ou aquela bela valquíria, vindo lhe cobrar um promessa feita ao que parecia era atras e assim não o fosse verdade, pois o tempo já havia fugido de sua mente e ele não o distinguia mais, alem de dia ou noite.  Ou então um demônio sarcástico como aquele e ele persegue, vindo rir sobre sua carcaça ensanguentada e aberta aos corvos, cobrando uma divida e exigindo o pagamento da mesma.
Tantas malditas coisas podem estar ai, cobrando dividas e promessas não cumpridas.
- Deite e morra - Falava ele pra si mesmo - feche os olhos e deixe seu peito baixar pela ultima vez e o ar lhe fugir dos pulmões - rezava ele, sem saber pra quem rezava.
Sua mão relaxava a tensão e se afundava em uma poça de seu próprio sangue, já esfriando e endurecendo, ao mesmo tento que a relva que rosava sem seu rosto ia parecendo cada vez mais distante e leve. Então os sussurros pararam  e seu corpo, mente e alma iam lentamente afunando na escuridão...
Mas algo ainda precisava sem dito, não por lembranças ou por anjos e demônios. Mas o monstro veio de onde ele mais temia. Dentro da mais profunda escuridão de sua alma, mente ou peito ele veio. Com suas garras rasgando qualquer pensamente, crença ou dor que havia nele.
Um maldita palavra, mais dura que as lembranças ou promessas.
Um monstro que dormia em seu amago.
Uma voz de mulher
Uma ordem maldita
- Em pé pistoleiro - Dizia ela, desprezando todo o sofrimento, dor ou compromisso - Levante e venha até mim.