segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Senhor das terra em sangue

Tudo emerge do nada.
Os ossos, os pedaços de carne morta, tudo esta lá, porem não resta mais nada.
Assim como em um conto antigo, o homem de preto ia a frente e o pistoleiro o seguia. Mas sua arma não tinha mais bala e seu cano enferrujado, seus coldres rasgados e nada em seu coração. Mesmo assim seu corpo se mantinha em pé, sem sangue, sem brilho nos olhos, sem uma alma para guia-lo. Porem seu corpo bombiava ódio e vingança que enchia sua veia e colocava força em seus caninos.
O homem de preto se movia ao longe, seu mante encharcado de sangue se arrastava no chão pintando a relva de rubro. Em seu cajado a cinza e o pó dos derrotados se juntavam formando um grande osso branco. em que seus dedos finos e necróticos se fechavam.
O pistoleiro saca sua arma, e mira com o ódio, e dispara com sede de vingança. E se esculta ao longe, não o dispara de um tiro certeiro, mas o estalido, repetido de frustado de uma arma enferrujada e mergulhada em sangue, que é seguido de um som rouca e abafado, que escapa entre os dentes cerrados do homem de preto.
Ele se afastava e o som se afastava com ele.
O pistoleiro mantinha o braço esticado apontando a arma para a figura sinistra que se afastava entre os corpos derrotados daquele campo de batalha. Não havia força para um passo, nem para abaixa o braço. A unica coisa que pode fazer foi ver a figura negra se afastando. E quando não restava mais nada em pé no campo de batalha e o homem de preto desapareceu no horizonte, finalmente seu corpo cedeu e desabou caindo na poça de sangue de seus companheiros.
A morte deveria fazer seu trabalho, mas ela não o fará.
Para a tristeza e desespero do pistoleiro.