domingo, 22 de maio de 2011

Gargalhadas e Lembraças

As areias entre meus dedos
Seu gosto em minha boca
A lamina já presa a bainha
as botas já não são nada alem de pano
E as roupas nada alem de trapos
O sangue que não mais escore
O peito vazio ainda a pulsar
Um pulsar tão repulsivo
O ódio que se exala a cada passo
Cada vez mais mergulhado em areia e solidão
e sobre a sombra do desespero sonha
Sonha e lembra daquela época
Era deus, era homem, era dragão
Ali sentado sobre a pedra
A pedra era ouro, era diamante, era aço
Deitado sobre o trono, sobre a pedra
Em seu peito dourado ela repousava
Tolo homem, incrédulo dragão, ignorante Deus
Desesperada gargalhada, torturante alucinação
As dunas se movem, as lembranças devoram
E sobre o trone de pedra um sombra perdura
E só tolo incrédulo ignorante a desgraças se abate
e ele ri alucinado pelas glorias do passado
e em agonia pela sentença que o condena no presente
E mesmo na tremenda escuridão ainda ri
ri das desgraças e de sua ignorância