quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dança

Porque a sombra desse seu negro vestir me persegue
Pro entre vielas da cidade
Entras as arvores no parque
Até sobre os arranha-céus
E sob o céu iluminado do dia
Tua sombra pousa sobre minha cabeça
Seu vestido sempre negro a cerrar em meus pés descalços
Tua mão tão distante e consoladora
Tão perto e tão fria e ameaçadora
Porque não deita no meu colo e espera
Por que insiste tanto em eu ir a teus braços
Mas mesmo assim não quer vir aos meus
Deixa teu corpo solitário e de negro veludo
E vem se juntar ao meu em doce e nua branca pele
Pois só assim o chão fugira de nossa sombra
E tua foice não mais pairará sobre nós
Vou a ti, mas tu também deverás vir a mim
Não temerei seu toque, seu olhar imortal
O desejo de uma ultima e eterna dança